
De acordo com o
Death Clock , irei bater as botas a 13 de Dezembro de 2043. No momento em que escrevo estas palavras ainda me restam 1,095,015,527 segundos de vida. Vou agora registar no meu Outlook e começar a tratar das coisas. Poderei alterar a data perdendo ou ganhando algum peso, comer pratos alentejanos ou antes uma salada de rúcola, beber bacardis como quem bebe água das pedras ou vice-versa, recomeçar a fumar ou comer cogumelos. Não fazia ideia que tinha assim tanto controlo sobre o meu destino.
Muitos amigos meus vêem o planeamento de funerais como uma extensão do testamento e até como uma forma de planeamento imobiliário. Eu, estou-me a cagar (sorry about my french) no que irão fazer com o meu corpo morto. Sim, a necrofilia é uma hipótese. Se eu tivesse que decidir agora, iria directamente para a cremação (sem passar na casa da partida nem receber 200 euro). Nada de funerais tradicionais à antiga portuguesa, com carpideiras a fazer mosh sobre o caixão e esposas a dar beijos de língua no defunto. Burn baby burn.
Os caixões são estupidamente caros mas também com um design tão datado. Aguardo pelo dia em que se veja um programa de TV chamado “Querida, eu quitei o meu Caixão”. Todas as pessoas deveriam ter um caixão tunning, amarelo, cromados e luz negra incluídos.
Para os pobres algo mais minimalista: co-inceneração na cimenteira da Arrábida, devolvidos à respectiva família naquelas embalagens de take-away chinesas e um rápido puxar de autoclismo. “Era um bom homem”, enquanto se espalha o produto do LIdl nas paredes da retrete.
De qualquer maneira, estou a contar viver mais do que todos os meus amigos e familiares. Basta comer algo mais saudável, fazer exercício regularmente, levar um dia a dia sem stress… Mas quem é que eu estou a enganar? Seja então 13 de Dezembro de 2043. Já só tenho 1,095,014,807 segundos… A ver se até lá faço alguma coisa de jeito.